Geração Techbunkers

novembro 11, 2008

Missing BoyO trágico final do caso Brandon Crisp, o garoto de 15 anos encontrado morto semana passada na floresta após ter fugido de casa por ter o XBOX suprido pelos pais, pode ser considerado um fato isolado. Mas também, pode-se utilizá-lo para analisarmos e questionarmos o tipo de pessoas que a nossa sociedade está formando.

Recentemente, o canal pago Cartoon Network, em um focusgroup com crianças, pediu para que elas desenhassem os seus “quartos dos sonhos”. Os desenhos  funcionam como um diagnóstico sensível desta geração high-tech-snack-culture-pop-2.0. Todos os quartos dos sonhos da molecada continham um computador e/ou um notebook último tipo, videogames, no plural mesmo porque muitas vezes apareciam em dois ou até três modelos diferentes, TV de LCD 42”, celular smartphone, ar-condicionado, aparelho de DVD, e por aí vai. Enfim, os quartos de criança, que antes continham bola, futebol de botão, Barbies e soldadinhos transformaram-se em verdadeiros bunkers tecnológicos. É exatamente nestes techbunkers onde a “geração dos garotos perdidos” se esconde dos planos de mídia convencionais.

Isso tudo se analisarmos o caso apenas pela ótica dessas questões de mídia / penetração / impacto / audiência / etc. e tal. Poderíamos ainda ver a questão pela lógica da “destruição criativa” Schumpeteriana que é a mola primordial do capitalismo. Afinal, um cidadão hoje produz 8X mais lixo eletrônico do que há 6 anos atrás. Pudera: com crianças sonhando cada vez mais cedo com quartos repletos de gadgets. Mas isso é papo para outro post.


Ser humano 2.0

novembro 4, 2008

serhumanodigital

O exercício lúdico acima serve para compararmos a evolução das conexões midiáticas na vida de uma criança de 12 anos. Há uns 15 anos atrás, uma criança de 12 anos chegava da escola e almoçava assistindo Vídeo Show e Globo Esporte. Alguns citariam o Chaves e a novela Carrossel. Mas enfim, o que se quer ilustrar é que esses 3 ou 4 canais de televisão eram as únicas mediações midiáticas que impactavam a vida daquela criança.

E hoje? Bom, hoje o moleque chega da escola e a primeira coisa que faz é entrar no MSN. O messenger é o oxigênio virtual dele. Ao dizer para todos os amigos “estou online” é como se ele estivesse afirmando que, digitalmente, está vivo. Então ele posta no Youtube um videozinho que ele montou com fotos de uma festa que rolou no final de semana. Daí, entra no seu blog para postar o vídeo que criou e em seguida, entra no orkut e manda um scrap para geral espalhando a nótica. Mas como orkut e blog já estão ficando ultrapassados, ele precisa dar uma Twittada no vídeo. Ele liga a TV e alterna entra Nicklodeon, Cartoon Network e Disney Channel. Mas a TV fica só ali, ligada, enquanto ele continua no computador. Ele então coloca as fotos no Flickr também e liga o Skype para avisar para alguns amigos no exterior sobre o vídeo. Manda uns scraps no Facebook para esses amigos reforçando a mensagem e então coloca a TV na MTV para ouvir uma música. É então que ele cansa dessa porra tods, liga o playstation e vai jogar enquanto o computado baixa umas músicas e ele as escuta no iTunes.

Percebam a quantidade de conexões midiáticas a que essa criança está submetida. Percebam como a mídia está infinitamente mais presente, em diferentes formas e modelos de relação, na vida desta criança.


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