Esse vídeo é simples na essência. Sangerine é uma menina de 21 anos cantando em sua sala para uma câmera amadora. Porém, o vídeo traz em si um raio-x, uma chapa, uma fotografia da geração dos garotos perdidos que o projeta automaticamente a um objeto de análise. Pensem comigo: quem poderia supor, há pouco tempo atrás, que uma menina poderia expor o seu talento e carisma, de forma tão simples e natural, para todo o mundo, do sofá de sua casa para o planeta, do seu mundo particular e privado para a coletividade, para uma audiência sem limites. Isso tudo sem suporte de gravadora, sem produtor, sem loja de discos, sem emissoras de rádio, sem Faustão. Ela, a câmera e a audiência. Simples assim. É como se ela estivesse debochando do sistema, da indústria, do broadcast. Ao afirmar para o mundo, com tamanha personalidade do alto de seus 21 anos, “this is real, this is me”, Sangerine assina um manifesto em defesa do livre direito de exposição da arte, sem fronteiras, sem pedágios, sem alfândegas. Abra los ojos: existe uma geração de jovens na web que está gritando “this is real, this is me”. As marcas e as indústrias fonográfica e audiovisual têm duas opções: ou escutam e iniciam uma conversa envolvente e relevante, ou retiram-se do jogo (ou melhor, estão sendo retiradas). Impor limites e tentar manter “ditatorialmente” o monólogo que fizeram dessas indústrias soberanas megalatifundiárias do patrimônio cultural da sociedade está fora de questão para esta e para as futuras gerações. Abra los ojos.
Nota do Editor 1: Sangerine cantando Umbrella.
Nota do Editor 2: Sangerine nos lembra 2 cases virais e colaborativos incríveis.
1) A banda sueca OKGO que lançou-se dessa forma, através da web, e hoje é conhecida mundialmente.
2) Os meninos chineses que gravaram um vídeo dublando um hit do Backstreet Boys e tornaram-se celebridades virtuais, sendo contratados posteriormente por Nokia e Pepsi para criação de novos vídeos virais.
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Escrito por Raulzito 
