O trágico final do caso Brandon Crisp, o garoto de 15 anos encontrado morto semana passada na floresta após ter fugido de casa por ter o XBOX suprido pelos pais, pode ser considerado um fato isolado. Mas também, pode-se utilizá-lo para analisarmos e questionarmos o tipo de pessoas que a nossa sociedade está formando.
Recentemente, o canal pago Cartoon Network, em um focusgroup com crianças, pediu para que elas desenhassem os seus “quartos dos sonhos”. Os desenhos funcionam como um diagnóstico sensível desta geração high-tech-snack-culture-pop-2.0. Todos os quartos dos sonhos da molecada continham um computador e/ou um notebook último tipo, videogames, no plural mesmo porque muitas vezes apareciam em dois ou até três modelos diferentes, TV de LCD 42”, celular smartphone, ar-condicionado, aparelho de DVD, e por aí vai. Enfim, os quartos de criança, que antes continham bola, futebol de botão, Barbies e soldadinhos transformaram-se em verdadeiros bunkers tecnológicos. É exatamente nestes techbunkers onde a “geração dos garotos perdidos” se esconde dos planos de mídia convencionais.
Isso tudo se analisarmos o caso apenas pela ótica dessas questões de mídia / penetração / impacto / audiência / etc. e tal. Poderíamos ainda ver a questão pela lógica da “destruição criativa” Schumpeteriana que é a mola primordial do capitalismo. Afinal, um cidadão hoje produz 8X mais lixo eletrônico do que há 6 anos atrás. Pudera: com crianças sonhando cada vez mais cedo com quartos repletos de gadgets. Mas isso é papo para outro post.
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Escrito por Raulzito 