A apresentação acima trata sobre o fim do jornal de papel como o conhecemos hoje e apresenta o e-paper. Abaixo alguns aspectos a respeito deste processo transitório. Leia o conteúdo dos tópicos abaixo clicando em Leia o resto deste post.
Aspecto 1: Calma lá. O papel não sumirá de uma hora pra outra.
Aspecto 2: Os hábitos de consumo estão de fato mudando
Aspecto 3: E a perecibilidade da informação também está mudando.
Aspecto 4: E a tecnologia está acompanhando.
Aspecto 5: E os jornais também estão correndo atrás.
Aspecto 6: Mas e a equação Rentabilidade X Imparcialidade?
Aspecto 7: E a questão ecológica?
Aspecto 1: Calma lá. O papel não sumirá de uma hora pra outra.
Ele apareceu pela primeira vez na China, há 2 mil anos. O papel pode ser considerado a inovação tecnológica de maior sucesso nos últimos 2 mil anos. É a que está durando mais tempo e que teve maior impacto na civilização. Sem a tecnologia do papel, não haveria conhecimento, sociedade ou civilização. Com certeza essa importância não desaparecerá de uma hora para a outra e nem acredito que se extinguirá por completo. O papel se transformará em um produto de nicho. Será muito maior e mais importante do que é hoje o nicho do LP, mas ainda sim será um nicho. Quando digo nicho quero dizer que a massa de pessoas consumirá jornais e livros através de e-papers ou dispositivos eletrônicos enquanto a minoria consumirá produtos especiais ainda em papel. Não acredita? Deixe para reler este post daqui a 10, 15 anos novamente e me diga.
Aspecto 2: Os hábitos de consumo estão de fato mudando.
Os hábitos de consumo de informação estão mudando. Me diga o que é mais fácil e comum hoje: acessar o globoesporte.com ao longo do dia para saber as notícias do seu time ou comprar o Lance no dia seguinte? Claro que é um processo de mudança lento, que acontecerá na transição entre gerações. Sabe-se que na Europa os jovens não lêem mais jornal e nos EUA a internet superou os jornais impressos como principal fonte de noticias, segundo uma pesquisa do Pew Research Center for the People and the Press.

Outro dado: o Twitter conquistou mais audiência que as homes dos jornais na Inglaterra tendo recebido na primeira semana de março/09 mais visitas que as home pages do The Guardian, The Times, The Sun e Telegraph. Também superou o Google News UK. Dos principais jornais ingleses, apenas a home do Daily Mail atraiu mais visitas que o Twitter. From Hitwise.
Aspecto 3: E a perecibilidade da informação também está mudando.
Há pouco tempo atrás, dizia-se que não existia “nada mais velho do que o jornal de ontem” enaltecendo o ritmo da produção jornalística como melhor formato para atualização diária de informação. Hoje em dia, o jornal que é impresso todos os dias pela manhã é apenas uma compilação de tudo que já vimos na rede ao longo do dia anterior. Não tem como concorrer com a atualização por segundo da grande rede.
Aspecto 4: E a tecnologia está acompanhando.
Na Europa, com a ampliação da rede wireless, que já ocupa 100% de Paris, por exemplo, pode-se consumir informação em qualquer hora, lugar ou situação (3A’s = anytime, anywhere, any case) através de um notebook ou de um Smartphone. O advento do e-paper abordado na apresentação acima também será crucial para a conquista de públicos mais resistentes, que valorizam a portabilidade e contato físico com o papel. Isso sem contar com a riqueza visual e diversificada do conteúdo de um jornal online X impresso. A possibilidade de complementar matérias com muitas fotos, links relacionados, vídeos sobre o tema, entre outros suportes, proporciona uma experiência de consumo de informação infinitamente mais interessante e rica ao leitor.
Aspecto 5: E os jornais estão correndo atrás.
No site da Amazon, você já pode assinar os principais jornais dos EUA, entre eles o USA Today, para receber a edição diariamente via wireless em seu Kindle ao preço de 12 dólares por mês. Não é a toa que a American Society of Newspaper Editors decidiu retirar o papel do nome em dezembro passado e diversos jornais tem anunciado o fim da edição de papel. Pelo menos 5 títulos desde janeiro de 2009 já anunciaram que serão exclusivos para a web.
O mais recente você confere nesse vídeo onde um emocionado editor anuncia o fim da edição de papel do Seattle Pi iniciando o discurso com a afirmação categórica: “hoje será a última edição de papel do nosso jornal”.
É fato que os departamentos comerciais e de marketing dos jornais estão correndo atrás do prejuízo. Agora, e em relação às redações dos jornais? E as faculdades de jornalismo? Já estão preparando jornalistas para as futuras realidades? Por isso, vale assistir o vídeo onde a jornalista Marcie Young fala emocionada em um evento organizado pela Columbia School a respeito do futuro dos jornais de papel.
Aspecto 6: E como resolver a equação Rentabilidade X Imparcialidade?
Depois das quedas progressivas nas vendas de jornais em todo o mundo vemos a parcialidade jornalísitica em situações cada vez mais delicadas. Todo jornal é uma empresa como qualquer outra. Precisa fechar as contas. Precisa lucrar. É inegável que em tempos de crise e baixa nas vendas, o departamento comercial ganha mais força política. Na web, a liberdade de imprensa e imparcialidade ganham força devido a independência financeira de veículos, colunistas e até blogueiros, que muitos afirmam ser a imprensa do futuro.
Aspecto 7: E a questão ecológica?
Imagine a quantidade de papel que deixaria de ser produzida com a diminuição de produção dos jornais? Isso sem contar com os livros. A natureza agradece.


Abril 8, 2009 às 6:52 pm
Noticia fresquinha relacionada com o post, via Blue Bus: O CEO do Google, Eric Schmidt, disse ontem aos donos de jornais nos EUA que eles precisam entender seus consumidores e trabalhar com o Google como parceiro e nao como rival. Falou em um encontro da Newspaper Association of America, em San Diego, na California. “Se eu estivesse envolvido na area digital de um jornal eu tentaria primeiro e antes de tudo entender o que meus leitores querem”, ensinou. E disse que se os jornais irritarem os consumidores, eles acabam mas “se você deixa-los felizes você vai crescer”. Schmidt criticou os sites de jornais.
O cara ta corretissimo. Mostra claramente a diferenca entre uma empresa de visao e uma empresa miope.
Abril 8, 2009 às 9:12 pm
Fala Raul!
Realmente estamos vivendo uma era de transformações, cada vez mais rápidas, quando falamos de tecnologia, informação, comunidades, internet, etc.
Tem um ponto nisso tudo que me incomoda, não pensando no business, mas nas pessoas. A sede pela informação tem crescido e, com a velocidade dos meios e dos acessos, sinceramente, não sei se temos tanta notícia assim para alimentar essa velocidade.
O resultado é uma imprensa cada vez mais sensacionalista e “criativa”, que lança factóides a fim de alimentar o público cada vez mais insaciável. Exemplo (usando o citado globoesporte.com): para quem é leitor do site, fica clara a quantidade de notícias, no campo da especulação, que não acontece, que, no fundo, não são verdadeiras. A quantidade de vezes que o Kaka já foi pro Real Madrid é impressionante! Como a quantidade de vezes que o Cristiano Ronaldo também jpa trocou de clube.
Enfim, acho que a imprensa precisa se reestruturar para aproveitar esta evolução dos meios na direção de uma sociedade melhor.
Abs!
Abril 9, 2009 às 12:00 pm
Discordo, o posicionamento do jornal hoje é muito mais de uma análise mais profunda dos fatos do que uma página com manchetes. O site do O GLOBO trabalha como um site independente, não se limitando apenas a reproduzir o que está no jornal impresso, sendo atualizado minuto a minuto, porém de uma maneira muito superficial. O jornal impresso se apóia hoje em mais imagens, infográficos e análises sobre uma notícia. É só pegar um jornal de 10 anos atrás, que vc vai perceber que o jornal de papel também evoluiu. E no mais Raul, VOCÊ VAI COLOCAR E-PAPER NA GAIOLA DO PASSARINHO ? abs
Abril 9, 2009 às 12:36 pm
só umas coisas. acho o Brasil, com sempre, está um passo atrás nesse processo. a questão do acesso aqui ainda é um empecilho. se outrora, o crescimento do mercado editorial era atrapalhado pelo analfabetismo, hoje a popularização das novas mídias tem sido barrado pela baixa qualidade, pelo alto custo e pelo alcance limitado das redes de banda larga e wi-fi. Buenos Aires, por exemplo, está muito à frente do Rio nesse processo. em qualquer birosca lá dá pra abrir seu notebook e acessar a internet. aqui, o problema começa no fato que não dá pra andar aí com seu notebook a tira colo sem correr o risco de ser assaltado. outra: com relação ao livro, na boa, Raul: ele pertence a um nicho. usando uma palavra cara ao professor italiano da semana passada: o livro é um “fetiche”. quem gosta, vai continuar comprando. mas o mercado editorial vai mudar, obviamente. acho que os best-sellers da Veja tendem a perder espaço para edições independentes, que poderão ser “testadas” em suportes dgitais, em casos de sucesso, impressas, em pequenas tiragens. e por favor! dá pra fazer um monte de livros com uma árvore! (nossa, vou ser apedrejado pelos ambientalistas agora!). abraço. ps: só queria deixar claro uma coisa:os jornais são dispensáveis, mas os jornalistas, carajo!!!
Abril 9, 2009 às 2:49 pm
Arthur, concordo com você. Realmente, o processo de ‘espiral do silêncio”, que coloca na mão de poucos a decisão sobre o que é notícia e o que não é, está cada vez mais intenso e transbordando de inutilidades. Mas um desafio para as faculdades e redações.
Michel, no dia que você concordar com algo será um milagre. kkkkk Mas suas discordâncias sempre são bem-vindas pois enriquecem o debate. Mesmo que para o mal. kkkkkkk
Realmente o jornal já tem se modificado e muito para tentar adiar o fim. Hoje o diferencial dos grandes jornais são os colunistas de opinião. E repare: os futurólogos não dizem que o jornal vai acabar. O que vai acabar é o jornal DE PAPEL.
Maikel,
concordo com os empecilhos. Somando analfabetismo (que é altamente excludente em relação à web), banda estreita e acesso ao equipamento o processo no Brasil apresenta-se muito mais lento. Porém, temos alguns movimentos que já denotam conquistas honrosas. Além do enorme sucesso das lanhouses nas áreas carentes (dizem ser o melhor negócio para se abrir hoje em dia – menos arriscado que a bolsa), 1/4 de Copacabana já está wifi e existe um projeto do governo que viabiliza favelas wifi. A primeira já está funcionando: é o Dona Marta em Botafogo.
Ou seja: a maioria silenciosa está querendo ter voz!
Abril 9, 2009 às 6:32 pm
[...] parasitando o blogue alheio, mas pude evitar. Num texto publicado esta semana sob a rubrica de “Não existe nada mais velho que seu jornal de hoje”, o Raul discute a (velha) tese do fim do jornalismo impresso – que paira no ar desde a invenção [...]
Abril 17, 2009 às 8:24 pm
Informação Mais Recente Relacionada com o Post:
E o maior fabricante de papel jornal dos EUA | pediu concordata hoje
16:54 A AbitibiBowater Inc, maior fabricante de papel para jornal da America do Norte, pediu concordata hoje nos EUA. Tentou sem sucesso conseguir apoio para seu plano de reestruturaçao. Suas subsidiárias vao fazer o mesmo hoje no Canadá. A companhia informou que continuará com suas operaçoes normalmente durante o processo de reorganizaçao financeira. Noticia da Reuters. 16/04 Blue Bus