Kindle, o iPod dos livros: cai a última fronteira?

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O advento das redes P2P, que possibilitou a troca de arquivos indiscriminada entre as pessoas de diferentes partes do mundo sem a existência de um servidor central que pudesse ser responsabilizado legalmente,  é uma avalanche que tem arrastado indústrias por onde passa. A primeira indústria a conhecer o gosto amargo deste fenômeno sócio-tecnológico foi a fonográfica com o lançamento do Napster em 1999. Depois, com o aumento das bandas de conexão que possibilitou a troca de arquivos mais pesados de forma cada vez mais rápida e segura, a indústria do audiovisual começou a lamentar as perdas nos lucros devido a troca de filmes e programas de TV.

Como se não bastasse, Steve Jobs crava dois duros golpes no coração dessas indústrias com o lançamento do iPod em 2001 e do iPod vídeo em 2005. Os subversivos agora podiam, além de trocar músicas e filmes, consumí-los de forma simples, prática, e o mais importante, anytime, anywhere, anyway. Ironicamente, anos depois Jobs apresentaria a tábua de salvação dessas indústrias com o sucesso estrondoso de vendas de músicas, filmes e programas de TV, além da locação de filmes, pela iTunes Music Store (no meio deste vídeo, Bono Vox faz um testemunhal a favor do iTunes e, acariciando um iPod na mão, afirma “people are going be able to get closer to music and closer to to the people who make it”).

Agora, tudo caminha para que a indústria literária seja a última fronteira a ser devastada. Com a popularização de brinquedinhos como o Kindle da Amazon, considerado por muitos como o iPod dos livros, poderemos ler nossos livros com incrível portabilidade e praticidade. Afinal, as pessoas também já trocavam ebooks pelas redes P2P, mas todos concordam que ler um livro no computador, até no notebook que o seja, é algo quase que impensável. Os números começam a falar por si: foram vendidos 250.000 Kindles em 2008 e a Amazon disponibiliza 200.000 títulos de livros no formato digital. A Sony promete esquentar a briga através do Reader, concorrente direto do Kindle. A gigante japonesa afirma que quer ser “para os livros o que a Apple representa para a música”. E falando em Apple, imaginem se Steve Jobs resolve entrar nessa brincadeira.

Nota do Editor 1: engraçado é observar o início da mudança nos hábitos de consumo. Veja este trechinho que foi retirado de um excelente post sobre o escritor Seth Godin no Update or Die: “no final consegui um autógrafo no meu Kindle onde tenho todos livros dele”.

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