Transtelling Storymedia: quando a história é meio e não apenas mensagem

fevereiro 4, 2010

Sim, esse é mais um post sobre Transmedia Storytelling como milhares de outros espalhados pela Blogesfera. Mas prometo tentar trazer algo a mais para o debate. Estive hoje em um evento (III Fórum Aba Petrobras de Comunicação Digital) que abordou algumas questões relativas ao poder de uma boa narrativa, disseminada através de diferentes plataformas, para envolver e engajar as pessoas tranformando-as em fãs.

É fato: a menor – e melhor – distância entre duas pessoas é uma boa história. Entre uma pessoa e uma marca também.

O Transmedia Storytelling já existe há muito tempo. A igreja católica utilizava todas as premissas da teoria em sua estratégia de comunicação (reflita um pouco). Porém, alguns fatores contribuem hoje para o aumento da importância desta forma de estratégia:

1) Aumento progressivo da quantidade de plataformas e pontos-de-contato oferece uma riqueza de possibilidades de multiplicação de uma narrativa.

2) Web 2.0 que possibilita que haja participação das pessoas nas histórias e na narrativa de suas próprias histórias e envolvimento com a marca. Esse movimento colaborativo fez com que as pessoas fossem educadas a não se comportarem mais passivamente. As pessoas não querem mais ser interrompidas. Querem participar, colaborar, expandir, envolver-se.

3) Geração de hoje ter crescido em meio a videogames, RPGs e computadores criou adultos que cultivam hábitos Geeks que favorecem o apreço por narrativas lúdicas envolventes.

4) Pessoas cada vez mais carentes resultado de uma sociedade cada vez mais narcisista e individualista faz com que elas se envolvam emocionalmente com as narrativas de forma mais entregue.

Porém, é preciso ter muito cuidado para o Transmedia Storytelling não tornar-se mais uma modinha do verão publicitário. Para tanto, importante lembrar que você só realiza Transmedia Storytelling quando você tem uma boa história nas mãos. Uma história ruim não se realiza sequer em uma plataforma, imagine querer que ela sobreviva em várias.

Outro detalhe é que as pessoas costumam confundir Transmedia Storytelling com Crossmedia. Para entender a diferença, veja o quadro abaixo.

Para finalizar, deixo uma provocação. Se Transmedia Storytelling é a estratégia baseada em contar uma boa história através de diferentes plataformas, como chamaríamos a estratégia baseada em utilizar uma boa história como a própria plataformaem si?

Explico: quando você tem um produto de entretenimento sensacional como Avatar nas mãos, fazer Transmedia Storytelling é um processo quase que natural, pra não dizer “fácil”. Porém, muito se questiona sobre o poder do Transmedia Storytelling para gerar resultados para marcas. Como fazer?

Ora, se contar boas histórias é o desafio e o que buscam as marcas, basta usar o conteúdo do entretenimento como meio e não apenas como mensagem. Eu, pelo menos, não conheço ninguém que conte boas histórias melhor do que a indústria do entretenimento.


Absolut + Spike Jonze = Branded Content

fevereiro 4, 2010

Spike Jonze lançou o primeiro teaser-trailer de seu curta “I’m Here”, projeto de branded content para a Absolut. Pouco se sabe ainda sobre o detalhes do projeto. Sabe-se que será um filme com 30 minutos de duração e contará a história de amor entre dois robôs que vivem em Los Angeles. Apenas pelo trailer já dá para perceber o nível de qualidade e a força do projeto.

“Foi uma oportunidade incrível”, afirma Jonze. “Eles (Absolut) não apresentaram nenhuma exigência de fazer um filme que tivesse algo a ver com vodca. Eles apenas queriam que eu fizesse algo que fosse importante para mim, e deixaram que minha imaginação me levasse onde eu quisesse. E não foi como trabalhar em uma grande empresa onde eu tinha de me reunir com comissões de pessoas. Era apenas um pequeno grupo, e parecia que a criatividade e fazer algo que os afetasse emocionalmente era a única coisa que realmente importava para eles. Eu fiz minha primeira história de amor”.

From Outernative


Social Media Revolution

fevereiro 3, 2010


Whys and Why Nots of Social Media

fevereiro 3, 2010


O desafio de impactar a Lost Boys Generation

fevereiro 2, 2010

A AgênciaClick criou o vídeo acima com diversos dados a respeito do perfil dos brasileiros na presença digital, com destaque para as mídias sociais. Todo esse cenário ilustrado no vídeo apresenta um pouco desse quadro de fragmentação e dispersão da audiência crescente que estamos vivendo.

Para reforçar as evidências deste movimento, a tabela acima (retirada do blog do jornalista Daniel Castro) mostra a queda histórica de audiência das telenovelas da Globo. Isso tudo mostra que o horário nobre não é mais tão nobre assim. Isso tudo comprova o desafio que nós, comunicólogos, estamos enfrentando diariamente para impactar uma geração de “alvos” que  não está mais estática, imóvel, passiva, homogênea.

Para fechar o post, segue abaixo um vídeo mashup que também aborda o tema da geração de garotos perdidos. Abra los ojos!


Não pense fora da caixa. Exploda a caixa.

janeiro 7, 2010

High-Speed Wireless Internet-Enabled Device Shipments Worldwide, 2008-2013 (millions)

Acho incrível que teóricos e consultores ao redor do globo insistem em repetir o mantra “pense fora da caixa”. Em 90% dos casos, a frase significa criar algo legalzinho na internet. Estão cometendo mais uma vez o erro de restringir as possibilidades à uma caixa, mais uma vez pensando dentro de uma caixa, mesmo sendo esta mais interativa, colaborativa, blá, blá, blá.

Os dados acima são do artigo “the future of content without walls” do eMarketer. Ilustram claramente o crescimento de alternativas de acesso ao universo web não se restringindo unicamente ao PC em cima da mesa. O movimento ascendente mais representativo é o de gadgets mobile via 3G. O levantamento nem considera outros devices. A internet, ou se preferir, o mundo virtual, está em todo lugar. Aparelhos de GPS nos carros, TVs e até em geladeiras. E isso é apenas o começo.

Portanto, não se restrinja aos limites das laterais da caixa mais uma vez. Pense nas possibilidades múltiplas de contato e envolvimento que estão evoluindo a sua frente. Se sua empresa ainda não considerou o mobile ou o GPS de forma criativa e envolvente está vendo o bonde da história passar. Abra los ojos.


O entretenimento como ferramenta de marketing

dezembro 29, 2009

O espetáculo está em todo lugar. Por meio de ações como MOBs (mobilizações) e URBis (urban interventions), o espetáculo ganha as ruas. Neste URBi da TAP, companhia aérea portuguesa, os próprios funcionários mostram que o entretenimento é hoje a ferramenta mais eficiente na construção de marcas.


Espetacularização da Sociedade

dezembro 29, 2009

Em uma sociedade que idolatra o lúdico em detrimento do real, tudo é vendido – e consumido – como espetáculo:

o esporte (vide os jogadores celebridades mega-astros e milionários)

o jornalismo (vide o fato das empresas de entretenimento serem hoje donas hoje dos imponentes e mais representativos grupos jornalísticos do mundo)

a política (vide o presidente popstar Obama)

a religião (vide os sucessos fonográficos e literários dos Padres Marcelo e Fabio de Melo)

a guerra (vide as transmissões ao vivo da TV AlJazeera e CNN)

a violência (vide o sucesso do cinema favela no Brasil com títulos como Tropa de Elite e Cidade de Deus)

as próprias pessoas normais (vide o sucesso dos reality shows e o caso Sean onde a CBS pagou uma fortuna pela exclusividade em transformar a vida de uma criança em um espetáculo).

Tudo isso contribui para um caos alucinógeno que nos deixa atônitos sem saber o que é real e o que é sombra refletida na parede da caverna.


O que acontece quando Debord encontra Ogilvy?

dezembro 28, 2009

Um deles previu – há 40 anos – o processo de espetacularização que a sociedade vem passando de forma cada vez mais intensa e evidente. O outro é o ícone máximo da propaganda genialmente vendedora, eficiente, ancorada em dados de pesquisa e baseada em bons argumentos de venda.

O que acontece então quando Guy Debord encontra David Ogilvy?

O que acontece quando o espetáculo encontra a propaganda? Quando a linha que separa o entretenimento do comercial não existe mais?

Hoje existe conteúdo de entretenimento – filmes, músicas, games… – que comunicam marcas e conceitos. Assim como existe conteúdo comercial que cumpre tranquilamente a missão de entreter.

Hoje sabe-se que o capitalismo, pelas mãos da propaganda, contribuiu diretamente para a construção de uma realidade mais individualista e narcisista. Assim como, por causa desta mesma realidade mais dura, estamos presenciando a construção de uma sociedade cada vez mais voltada a adorar o espetáculo como zona de reconforto psico-emocional.

Debord definiu assim em 1967: “o espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediatizada por imagens”.

Essa visão crítica ganha as vozes de Baudrillard  e Kotler. O primeiro afirmou em “Sistema dos Objetos” que quando você consome um produto na verdade você “está consumindo o seu significado projetado pela publicidade”. Já Kotler afirmou, ainda na década de 90, que estávamos passando por um processo de transição “da guerra entre marcas para a guerra entre percepções”.

Você pode chamar de adverteinment, branded content, branded enterteinment, placement, o que for. O fato é que a propaganda de Ogilvy tinha como principal objetivo informar, vender com base em argumentos quase sempre racionais. Hoje, a propaganda só consegue envolver se encantar. E não existe hoje melhor forma de encantar do que através do espetáculo previsto por Debord.


Raio-X do Twitter: a vida em 140 caracteres

dezembro 21, 2009

Só depois que adquiri um iPhone pude compreender em sua plenitude o potencial do Twitter enquanto ferramenta de comunicação e conector social. O gráfico compridão aí debaixo, elaborado pelo Information is Beautiful, traz as estatísticas do Twitter. Com base nesses dados, podemos tirar algumas conclusões a respeito desta ferramenta que considero incrivelmente compatível com o ritmo de nossos dias atuais.

A primeira conclusão que podemos tirar é que os usuários estão longe de explorar todas as possibilidades da ferramenta. Isso pode ser constatado ao observarmos que a cada 100 usuários, apenas 5 seriam responsáveis por 75% dos tweets, enquanto 50 preguiçosos simplesmente não constumam twittar. Creio que isso é natural em uma ferramenta tão nova. Além disso, não considero muito fora da realidade que a maioria prefira seguir do que se preocupar em produzir conteúdo relevante para ser seguido.

Aliás, onteúdo relevante é algo que poderia evoluir proporcionalmente no Twitter. A cada 100 tweets, vejam só: 40 são banalidades (muitos ainda acham que Twitter é portaria onde você tem que dar “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite”) e 38 são conversas (muitos ainda usam o Twitter como MSN) entre twitters. Enfim, penso que esse é o preço que se paga pela popularidade estrondosa e que a ferramenta conquistou no último ano.

Em defesa da ferramenta, destaco dois usos que fazem com que ela seja indispensável nos dias atuais.

1) Megafone: o Twitter é uma incrível ferramenta mobilizadora e com agilidade suficiente para ser muito eficiente como denunciadora e prestadora de serviço. Tudo isso, claro, pelas mãos dos usuários em incríveis movimentos colaborativos. Para entender melhor, basta ler aqui no ABRA os posts “Subversive Social Power” e “Nós e você, #25milgritando”.

2) Farol: em meio a um oceano obscuro com milhares de possibilidades de encontrar informação, o Twitter funciona como um farol para guiar você. Basta que você seja seletivo na escolha dos “indicadores de links” que vai seguir. Muitas pessoas simplesmente deixaram de usar o RSS Feed e utilizam hoje o Twitter com a mesma finalidade.

Enfim, como minha empolgação pode ser facilmente percebida, aguarde pois novos posts destacando as qualidades e manhas do Twitter estão a caminho.


Sexto sentido

dezembro 20, 2009

Essa dica vem do blog do PanMedia Lab da ESPM. O SixthSense está sendo desenvolvido por engenheiros no MIT e trará consequências revolucionários a várias indústria. A idéia básica da tecnologia é que qualquer surperfice pode se tornar uma tela interativa. No vídeo acima, um dos engenheiros do TED da Índia fala sobre o que essa nova tecnologia pode trazer.


Raise your Voice

dezembro 20, 2009

Este vídeo foi criado pelo Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social através do seu Observatório do Direito a Comunicação com o intuito de conscientizar a população brasileira da importância de não abrirmos mão de termos o poder de voz em nossa sociedade para que façamos valer a real democracia. O vídeo defende esta idéia de forma didática e marcante, fazendo inclusive referência ao inesquecível Ilha das Flores. Assista a parte um acima e a parte dois abaixo.


Nós e você #25milgritando

dezembro 18, 2009

O Globo lançou recentemente uma campanha extremamente alinhada com o cenário atual de web 2.0 em que vivemos. Com o mote “Nós e você. Já são dois gritando.” a campanha criada pela F/Nazca tem um forte gancho inspiracional. Através do #doisgritando é possível fazer denúncias através do Twitter que vão direto para o site da campanha. A campanha é uma verdadeira convocação para execermos nosso papel de cidadão que tomou pra si o poder de voz através das ferramentas sociais.

Jean Baudrillard previu genialmente este movimento há três décadas em seu livro “À sombra das maiorias silenciosas” ao afirmar: “as massas flutuam em algum ponto entre a passividade e a espontaneidade selvagem, mas sempre como uma energia potencial, como um estoque de social e de energia social, hoje referente mudo, amanhã protagonista da história, quando elas tomarão a palavra e deixarão de ser a maioria silenciosa”.

Nessa agilidade em tempos de Twitter, e ainda mais na plataforma mobile, o conceito ganha um potencial gigante. Prova disso é que já está gerando versões no serviço de microblogging. O twitter @LeiSecaRJ, que possui o mesmo gancho mobilizador de denúncia da campanha do Globo, lançou movimento #25milgritando em referência aos 25 mil seguidores colaboradores que eles conquistaram.

Essa já pode ser considerada uma grande vitória da campanha. Afinal, em tempos de mashups e colaborativismo, o sonho de toda campanha deste tipo é que justamente ganhe vida e extrapole os limites das paredes da agência. Outra grande qualidade da campanha é exatamente esta pegada mobilizadora que faz com que desejemos colaborar, denunciar, contribuir para um mundo melhor.


Starbucks Love Project

dezembro 14, 2009

Starbucks Love Project é uma ação viral da Starbucks que pediu para todas as pessoas do mundo cantarem “All You Need is Love” no hotsite do projeto. Pessoas de 124 países contribuíram com vídeos formando um grande mosaico interracial. A promessa da Starbucks é: a cada novo vídeo, a marca realizará uma doação para a campanha ( RED ) que atua na redução da proliferação desenfreada do HIV na África. A ação está redondinha: colaborativa, inspiradora e altruísta. Pronto pra marca.


Branded content da Coca-Cola para o verão

dezembro 14, 2009

A Coca-Cola vem realizando estratégia global de branded content que começou no verão americano e vem sendo desdobrada em outros verões ao redor do globo. Agora chegou a hora do Brasil. Por aqui, a marca “convidou” NXZERO, PITTY e MV BILL para cantar o hit do verão “Abra a Felicidade”. Buscando no Youtube você encontrará versões da música em inglês, japonês e por aí vai.

Um dos pontos que valem observação na ação é a vinheta sonora da marca: essa flautinha com assobio hipnotizante que está presente desde os comerciais “Happiness Factory”. Para quem não se lembra, é aquele comercial em que um rapaz colocava uma moeda na máquina da Coca-Cola e um mundo mágico era mostrado dentro dela. Essa “identidade institucional sonora” é sutil e gruda que nem chiclete no ouvido e torna-se quase impossível você não sair cantarolando ou assobiando por aí.

Para quem acha que estratégia de branded content é algo exclusivamente do nosso tempo, saiba que a Coca investe nesse tipo de ação desde a década de 70. Prova disso é o comercial “The Real Thing” com Os Carpenters cuja canção figurou meses no top ten da Billboard.